65 anos

O Jornal de Hoje - Opinião, Quarta-feira, 03 de fevereiro de 2010.

Esequias Pegado Cortez

Advogado e Economista

 

Quando estudava economia, aos 20 anos de idade, tornei um hábito examinar a longevidade dos povos. E comparava aos números brasilei­ros de então, trazendo à análise para o nosso Nordeste. Examinava tam­bém esses dados à luz do pessoal da minha família e do meu próprio es­tilo de vida de então - gostava de velocidade - e veio aquela música que todos desacreditassem “em quem tinha mais de 30 anos...” Assim con­cluí que deveria viver um pouco mais que a idade de 30 anos, fazendo de cada dia uma satisfação de cumprir os objetivos e as oportunidades que a vida e Deus me davam.

 

E cada ano depois dessa idade-ob­jetivo-conclusivo tem sido um des­cortinar de novos horizontes e, por dia que se passa, entendendo que a idade da pessoa é exatamente aque­la que ela sente, sentido-a então quan­do não se tem mais metas a realizar.

 

Sim, meus amigos, na vida devem ser usadas as melhores técnicas do planejamento. Sem dúvidas, temos que ter planos, programas, projetos e atividades. Tudo feito em acordo com o tempo e a capacidade de geração de receita, mantida a ale­gria e a saúde de viver, sempre adi­cionado o trabalho sem pensamen­tos na aposentadoria. Um em relação direta e dependência do outro.

 

Naqueles meus 20 anos eu tinha um emprego que, naquela época, se dizia “do qual ninguém saia”. Era funcionário concursado do Banco do Brasil e vivia a angústia de ver os colegas, ainda jovens, falando o que fariam depois da aposentado­ria. Portanto, todos querendo ficar velhos... E me respondia que aqui­lo não dava para mim pois, inquestionavelmente, via gente querendo, indiretamente, uma saída num fu­turo ainda distante... Ora, pergunta­va-me constantemente, mas aquele ótimo emprego seria a minha prisão? O enterrar dos meus sonhos de realizar algo na vida?

 

E saí para vida sem prisões que, ao meu ver, consistia em não ter medo dela própria e acreditar na minha capacidade de trabalho, pre­parado para os riscos e reveses que, efetivamente, são inúmeros, como que espreitando à toda hora. Toda­via nunca me arrependi.

 

Então, no planejamento de vida, ou seja, nos planos, programas, pro­jetos e atividades, o primeiro ponto importante é acreditar na sua capa­cidade de trabalho, sem medos de começar tudo de novo se os reveses chegarem... e mais das vezes che­gam mesmo!!!

 

O trabalho qualificado inteligen­te e oportuno gera receitas. Sempre.

 

Algumas de forma mais lenta e outras por mérito acelerado, cada qual com sua razão de ser e visto o custo/oportunidade, esta por vezes chamada de “sorte”.

Agora, pergunto-me aos 65 anos, neste 17 de janeiro de 2010, em Lis­boa, cidade de clima ameno e que aprendi chamar de Lisótima, encon­trando-me na execução de mais um projeto - um escritório de advocacia voltado à União Européia, o qual tento tornar uma atividade e, na precisão técnica do contexto, auto-sustentável – que fez parte de programa e este de um plano de vida: como seria a vida sem a alegria de viver principalmente quando, com a graça de Deus, se tem saúde e esta dá bem para o gasto? E mando para minha Natal, que quero sempre chamar de Natalinda a consciência do pensa­mento do filósofo alemão Goethe, pensamento que aprendi aos 17 anos e que até hoje me acompanha – ainda estando de acordo com ele mas lem­brando que as tristezas e os proble­mas também podem ser passagei­ros de uma boa administração da vida - que “as perenes alegrias da vida não foram encontradas por ne­nhum mortal”.

 

Viva a vida pela experiência vivida!!! Este é o meu longo e feliz grito de hoje.

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